Software Livre e rádios comunitárias são ferramentas de autonomia para povos tradicionais

Debate na Rio+20 aponta alternativas de apropriação tecnológica por povos e comunidades tradicionais

Software Livre e rádios comunitárias são ferramentas de autonomia para povos tradicionais

Privilegiar as pessoas e a sua cultura tanto quanto o meio ambiente e usar a inclusão digital como estratégia de desenvolvimento. Estas foram algumas das propostas apresentadas pelo representante da Rede Mocambos, Antônio Carlos Santos Silva, o TC, na roda de conversa sobre Apropriação tecnológica na perspectiva dos povos e comunidades tradicionais, realizada ontem (17), no Rio de Janeiro, como parte da programação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) na Rio+20.

“A tecnologia é entendida como algo que não nos pertence, como algo que foi criado em algum lugar e nos permitiram o acesso. Isso nega a tecnologia do tambor que é a pele do animal e o pedaço de uma árvore e que produz o som e tem o poder de comunicar”, afirmou o debatedor, que conceitua o tambor como a primeira internet e como um instrumento que carrega um sentido cultural importante. “Nesse contexto, o objetivo da Rede Mocambos é a apropriação tecnológica de forma que as pessoas possam ter mais autonomia e liberdade diante dela para usá-la de maneira que melhor cumpra sua finalidade”, completou.

A conversa foi iniciada com a batucada de Mãe Beth de Oxum e terminou com uma apresentação da Dança do Coco também ritmada por Maria Elisabeth Santiago de Oliveira, Mãe Beth, que é liderança tradicional de matriz africana de Pernambuco, e compartilhou com o grupo sua experiência com rádios comunitárias.

“Para nós que somos o povo do brinquedo, temos o problema da difusão, pois as rádios de Recife não tocam nossa música. Por isso, criamos a rádio livre, sem outorga ou concessão. Estamos no terreiro dizendo que a nossa música é ancestral e precisa se perpetuar, mas a mídia ‘sataniza’ o que temos de mais sagrado”, desabafou. Por meio de parceria com ativistas ligados ao movimento da cultura digital, o povo de Mãe Beth gravou dez discos para quebrar o monopólio da indústria fonográfica. A meta agora é capacitar a comunidade para continuar gravando a própria música e manter o domínio e a memória sobre ela.

Outro convidado, Anapuaka Tupinambá, da Cultura Digital Indígena, agradeceu a todos os engenheiros, programadores e outros profissionais que desenvolveram o Software Livre, afirmando que eles colocaram na rede ferramentas das quais todos podem se apropriar. “Se pensarmos em 1500, eram espelhinhos que trocávamos. Agora, ficamos felizes com ferramentas de comunicação porque assim ninguém nos cala mais. Não somos índios, somos etnias, uma diversidade”, disse.

Hoje, os indígenas podem narrar sua própria história, sem a mediação de antropólogos e pesquisadores. “Na minha experiência, cada ferramenta é adequada a uma situação e a uma cultura. Por isso, apresentamos um leque de ferramentas e vemos qual a mais adequada”, explicou Tupinambá sobre o trabalho de sua organização. Anapuaka também alertou sobre a necessidade de o brasileiro produzir mais conteúdo para a internet, pois atualmente ele compartilha muito, mas cria pouco conteúdo novo.

A programação da Seppir continua hoje no Píer Mauá, com a Roda de Conversa “Ancestralidade Africana no Brasil”, às 11h, no Armazém 1. Veja toda a programação na página http://www.seppir.gov.br/rio20

 

 

Fonte: Coordenação de Comunicação SEPPIR

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