Odara discute ações de enfrentamento ao racismo no Brasil e na Bahia com organizações internacionais

“Precisamos desenvolver ações que estrategicamente fortaleçam a luta das mulheres negras e de combate ao racismo no Brasil e na Bahia”! Foi com o intuito de debater pautas relacionadas à luta das mulheres negras, as desigualdades raciais, desenvolvimento local e combate ao racismo que a coordenadora executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra na Bahia, Valdecir Nascimento, esteve na última quinta-feira, 05 de julho, no escritório da Ford Foundation e do Brazil Foundation, no Rio de Janeiro.

Ao iniciar a reunião com representante da Ford Foundation no Brasil, Nilcea Freire foi discutido à situação de desigualdades que vivem as mulheres negras na Bahia e no Nordeste. Para Valdecir Nascimento a crescente situação de desigualdades é revelada pelos altos índices de desemprego, saúde e condição de vida da população negra e das mulheres negras em particular, esta situação tem provocado cada vez mais a exclusão e invisibilidade desses grupos na sociedade e no acesso às políticas públicas no país.

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“A discriminação também é estampada pelos números. A OIT divulgou em 2009 que mais de 70% das mulheres negras que exercem algum tipo de trabalho, remunerado ou não, estão inseridas no grupo do chamado emprego precário, totalizando apenas 498.521 mil empregos formais. De que forma podemos avançar na agenda de desenvolvimento do Brasil sem fazer um debate sobre questões estruturantes da sociedade como o racismo que ao longo dos séculos vem perpetuando um trágico histórico de desigualdades e pobreza? São essas pautas que o Odara tem interesse de debater amplamente com a sociedade e com o Estado”, ressaltou Valdecir Nascimento.

Ao falar sobre a atuação da Ford Foundation no Brasil, Nilcea Freire reafirmou o debate racial como pauta central dos eixos programáticos da Ford no país. Revelou também que neste ano em que a Ford completará cinco décadas, as ações tem se intensificado para garantir o fortalecimento institucional das organizações negras, quilombolas, indígenas, ambientais e feministas no país e das ações desenvolvidas que de fato contribuam para um impacto positivo nas agendas de enfrentamento ao racismo e sexismo.

“A Ford tem provocado debates sobre as ações de impacto direcionadas a sociedade que só será possível com o entendimento que gênero, raça e etnia são estruturantes e determinantes para acirrar as desigualdades. Estou muito feliz porque em fevereiro deste ano, conseguimos criar junto com diversas organizações negras  o Fórum de Igualdade Racial. Dentro do Fórum debatemos as políticas públicas, o acesso, o fortalecimento institucional, controle social e as estratégias de combate ao racismo”, declarou Nilcea Freire.

Na ocasião o Odara foi convidada a integrar o Fórum de Igualdade Racial representando junto com outras organizações a Bahia e o Nordeste.

Encontro com representantes da Brazil Foudation reforça importância de apoio às organizações de mulheres negras no Brasil

Na reunião com a Brazil Foudation, foi enfatizada a importância que as organizações e programas internacionais têm para o fortalecimento institucional das organizações que lutam contra as injustiças sociais em todo país. Neste sentido apontou a dificuldade que as organizações que combatem o racismo no Brasil encontram para acessar editais e consequentemente recursos para desenvolver ações efetivas nesta pauta.

“É preciso que as ações estratégicas dos órgãos e organismos de financiamento no Brasil tenham como principal missão o enfrentamento a todas as formas de discriminação que assola a população brasileira. Os dados e o nosso cotidiano nos mostram que a juventude negra vem sendo exterminada, as mulheres negras continuam em condições de trabalho subalternizadas. Portanto, é necessário garantir apoio para o fortalecimento a iniciativas que tem modificado a realidade da população negra e pobre a exemplo das cooperativas, dos empreendimentos sociais”, destacou Valdecir.

 

A representante da Brazil Foudation, Mônica Xavier ao falar das ações que a organização vem desenvolvendo no Brasil ao longo dos anos reforçou a importância direcionamento da atuação para o enfrentamento do racismo e do trabalho que tem sido realizado junto às organizações sociais no Brasil. “São essas iniciativas que tem fortalecido o debate que precisamos alavancar sobre desenvolvimento que envolve essa nova releitura sobre consumo e o lugar onde a população negra e as mulheres negras estão colocadas. É dessa forma que vamos diminuir as desigualdades e garantir o acesso”, disse Mônica.

 

Ainda na pauta do orçamento a representante do Odara destacou a importância do controle social e formação das organizações para debater o orçamento público e a efetivação das políticas públicas que vão contribuir para o enfrentamento ao racismo e ao sexismo.

 

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